terça-feira, 12 de março de 2013

Jovens refletem sobre sua missão durante o carnaval


Nos dias 08-12 de fevereiro, jovens dos municípios que formam a Região do Munim se reuniram na Comunidade de Timbó/Morros, no XXII Retiro de Carnaval dos jovens desta região. O Tema Geral: EIS-ME AQUI, ENVIA-ME (Is 6,8), no decorrer destes dias foi aprofundado através de vários subtemas, entre eles: A Missão dos Jovens no Seguimento/Discipulado de Jesus Cristo. Este tema teve como facilitadora a Conceição Costa, que faz parte do CEBI no Maranhão.

A partir dos textos de João, acompanhamos os passos da comunidade joanina buscando descobrir os passos destas seguidoras e seguidores no crescimento do compromisso com o projeto de vida através do aprendizado na vivência de relações solidárias e de igualdade.

Para melhor compreensão dos textos foi feita uma explanação do contexto em que se deu a redação final do Evangelho de João por volta dos anos 85 a 90 e os problemas enfrentados por esta comunidade. A Lei do sábado, a lei do puro e impuro, a expulsão dos judeus cristãos das sinagogas e a perseguição e cobrança de impostos por parte do império romano tornava a vida cada vez mais insustentável, por isso muitos cristãos também estavam deixando a comunidade. Os textos que nortearam esta reflexão foram os seguintes:

 João 1,35-39
·         Quais as características do chamado presente no texto?
·         Que tipo de chamado Jesus representou para estes jovens que seguiam João Batista?
 João 9,1-34
·         Como o seguimento de Jesus pode nos ajudar a superar os                                      preconceitos que existem entre nós?
·         De que tipo de cegueira precisamos nos libertar para sermos verdadeiras/os seguidoras/es e discípulas/os de Jesus?
·         O que fazemos em favor das pessoas que necessitam de solidariedade, das pessoas portadoras de deficiência em nossa casa, em nossa comunidade?

 João 13,1-17
·         O que este texto nos ensina sobre o discipulado de Jesus?
·         Como na nossa realidade podemos colocar em prática os ensinamentos de Jesus?

João 15,1-17
·         Na família, na comunidade, no trabalho, na cidade, nós conhecemos pessoas que sofrem por causa do serviço da justiça e da solidariedade?
·         A partir do testemunho da Comunidade Joanina o que precisamos fazer para continuar unidas/os a Jesus Cristo?

 João 20,11-18
·         O que fez Maria Madalena encontrar o Senhor?
·         O que Jesus pede para Maria Madalena fazer?
·         Quais os gestos e atitudes de exclusão presente em nossa sociedade que praticamos contra as mulheres e que as impedem de fazer uma verdadeira experiência de ressurreição?

A partir destes textos refletimos sobre as características do seguimento que define o discipulado presente no vinde e vede, bem como a superação dos preconceitos que foram alguns desafios mencionados pelos jovens nos dias de hoje principalmente no que se refere aos jovens que se envolveram no mundo das drogas, ou que usam tatuagem, jovens homossexuais, etc. que sofrem discriminação e exclusão.  O ensinamento de Jesus que ajudou a comunidade joanina a olhar pra prática de Jesus e fazer a descoberta de que só na vivência da solidariedade e da humildade estão os verdadeiros valores a serem resgatados na vivência de novas relações que fortalece os laços de amizade e compromisso na luta pela justiça no amor ao próximo de amar até o fim a ponto de doar a própria vida.  Por fim, a perseverança e fidelidade de quem não se conforma com a morte, com o fim. A missão recebida por Maria Madalena de ir anunciar a Ressurreição de Jesus (Jo 20,17-18), estendeu-se a todos nós ali presentes como forte apelo para continuar com a nossa vida o anúncio da Ressurreição e assim no final do dia a exemplo do envio dado a Maria Madalena por Jesus, todos foram enviados a sair e visitar cada família do povoado que abriu suas portas pra nos acolher nestes dias de oração e reflexão.

sexta-feira, 1 de março de 2013

CEBI VIRTUAL: Bíblia e Hermenêuticas Juvenis


Nesta sexta-feira, dia 1º de março, está começando mais um curso oferecido pelo CEBI na modalidade Virtual EAD. É um curso de Bíblia e Hermenêuticas Juvenis com duração de cinco meses e a participação de 155 pessoas.

O objetivo do curso é promover a leitura popular da Bíblia com os/as jovens na modalidade de Educação à Distância Virtual, bem como oferecer elementos para que os/as jovens atualizem essa leitura desde sua própria perspectiva. O curso é direcionado, preferencialmente, a jovens entre 15 e 29 anos que se interessem em refletir sua realidade à luz da Palavra de Deus.

Os cinco módulos terão como foco o exercício de hermenêuticas a partir das juventudes e, com os respectivos autores, estão assim distribuídos:
·         Introdução: Leitura Popular da Bíblia e Hermenêuticas Juvenis (Mercedes de Budallés Diez);
·         Evangelho de Marcos: Saúde e Violência (Paulo Ueti Barasioli);
·         Evangelho de Mateus: Relações e Conflitos Raciais (Simone Furquim Guimarães);
·         Evangelho de Lucas: Relações de Gênero e Ambientais (Sônia Mota e Romi Márcia Bencke);
·         Evangelho de João: Fundamentalismos e Diálogo Inter-religioso (Márcio Simão de Vasconcellos e Kenner Terra).

A coordenação e secretaria do curso estão nas mãos de Vanildes Gonçalves dos Santos e Paulo Ueti Barasioli (Brasília/DF), bem como de Anderson Roberto Deizepe (Presidente Prudente/SP) e Alberto Massao Katsuta (Mirassol/SP).

As pessoas participantes serão acompanhadas por uma equipe de facilitadoras/es, da qual fazem parte Simone Furquim Guimarães (Samambaia/DF), Maria de Fátima Castelan (Vitória/ES), Ana Selma Costa e Maria de Fátima Alves (Fortaleza/CE), José Josélio da Silva e Izaías Torquato da Silva (Recife/PE), Lucas Rinaldini e Giovane Aparecido Machado (Birigui/SP).

“A semente vai brotando e crescendo...” (Marcos 4,27)

Site: http://www.cebivirtual.com.br/site/

domingo, 24 de fevereiro de 2013

5ª Semana Social Brasileira


grito

“Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular” é o lema do 19º Grito dos Excluídos


Durante a tarde de hoje, 21, em São Paulo, a coordenação do Grito dos Excluídos acolhendo as sugestões de vários grupos, comunidades, dioceses, movimentos, sindicatos, definiu o lema da 19º edição do Grito dos Excluídos: Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular.
O Próximo encontro nacional dos articuladores e articuladoras do Grito acontecerá nos dias 26 a 28 de abril , em São Paulo.
O que é o Grito dos Excluídos?
É uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. Constitui-se numa mobilização com três sentidos: Denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social; Tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome; Propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.
É realizado em um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria, 7 de setembro, tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira. Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças. As atividades são as mais variadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos – e se estendem por todo o território nacional.
Semana Social e Grito dos Excluídos
O Grito é parte do processo da 5ª Semana Social Brasileira e no ano passado trouxe o lema: Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!
Sobre a participação da juventude a coordenação nacional da 5ª Semana Social Brasileira (SSB) divulgou na última sexta-feira, 15, um vídeo com o objetivo de mostrar como os jovens brasileiros podem se mobilizar no debate do tema “O Estado para quê e para quem?”
Informações             [11] 2272-0627      , ou acesse www.gritodosexcluidos.org

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

CEBI-GO: Surpresa pelo fim da Leitura Popular da Bíblia na CAJU


Em carta dirigida à Congregação dos Jesuítas (ICAR), a coordenação do CEBI-GO se diz surpresa com a extinção dos projetos de Leitura Popular da Bíblia até então desenvolvidos pela CAJU - Casa da Juventude de Goiânia.
Eis o documento.
"A Sabedoria construiu Sua casa, ela ergueu suas sete colunas.
Ela abateu Seus animais, ela misturou Seu vinho,
ela pôs também Sua mesa.
Ela enviou suas ministras para chamar desde os lugares mais altos da cidade...
Vinde comer do pão e beber do vinho que eu misturei.
Deixai a imaturidade e vivei, e andai no caminho da Sabedoria"
(Provérbios 9, 1-3.5-6)
À Juventude, à Companhia de Jesus e a todo o Povo de Deus a caminho,
A paz do Senhor!
Somos o Centro de Estudos Bíblicos - o CEBI, uma organização ecumênica formada por mulheres e homens crentes na Palavra de Deus, que buscam com paixão e rebeldia, gerar libertação e bem viver, pelos caminhos que percorrem. Em Goiás, celebramos 30 anos de Resistências, Sonhos e Utopia. Numa rede de parceiras e bem querer, construímos juntos/as, "outro mundo possível" - o reino de Deus, no cerrado brasileiro, com arte, beleza e mistério. A nossa história, a nossa caminhada no Seguimento a Jesus, está entrelaçada com o caminho percorrido pela Casa da Juventude Padre Burnier, que assim como nós há 30 anos tem sua tenda armada junto à juventude e aos pobres.
Vivenciamos muitas histórias, projetos, alegrias e dores juntos/as, ao longo destas três décadas de serviço as comunidades, nossas gentes se misturaram varias vezes, sendo gente do CEBI, sendo gente da CAJU, do MST, das CEBs, da PJ... Gestamos juntos/as um projeto que cresceu, cresceu tanto que virou uma referência para o Brasil e a América Latina, as Escolas Bíblicas com Jovens, uma experiência que junto aos grupos juvenis, buscam hermenêuticas juvenis que gerem vida, libertação, bem viver. Celebramos juntos, nossos 20 anos de caminha, no re-encantar a esperança. Realizamos seminários, aprofundamentos, assessorias juntos/as em vários momentos ao longo destes anos, mas sobretudo comemos e bebemos nossa utopia juntos/as.
Ao iniciarmos um novo ano de trabalho, um ano de celebrar 30 anos do CEBI-GO, um ano dedicado pela Igreja Católica de Roma - o ano da Fé, de visita do bispo de Roma ao Brasil, de jornada mundial da juventude, de campanha da fraternidade sobre juventude, de desejo da articulação da juventude ecumênica em Goiás, de abertura das comemorações dos 30 anos da CAJU, fomos surpreendidos pela notícia que a CAJU não continuaria o serviço de leitura popular da bíblia, bem como com nenhum dos projetos de Pastoral, Formação Política, Pesquisa e Publicação, Assessorias. A noticia foi para nós assustadora e um tempo de adentrar os desertos da vida, para entender quais são os sinais do Libertador para nós. Sendo homens e mulheres da palavra, rezamos a tradição bíblica, o Êxodo, as parteiras hebreias que agem com astúcia na defesa da vida, numa realidade de extermínio dos mais jovens, desobedecem a ordem do faraó.
Escrevemos esta carta fraterna à Companhia de Jesus, à Juventude e a todo o Povo de Deus, para dizer que assim como caminhamos ao longo destes 30 anos junto aos homens e mulheres que construíram a CAJU com mãos cuidadoras e proféticas, continuaremos juntos/as com os/as leigos/as, religiosos/as, Congregações, movimentos sociais...Que construirão nova morada, nova casa/CAJU Assessoria , dando assim continuidade aos projetos e ao apoio aos/as jovens de todo o Brasil, entrelaçando cada vez mais nossos "sonhos, resistências e utopias", neste chão goiano. À Companhia de Jesus, desejamos que siga seu caminho no seguimento a Jesus, que não perca de vista o testemunho de sto Inácio, pe.Hurtado, pe. Jon Sobrino, pe. Burnier - mártir da caminhada, dom Luciano Mendes, pe. Alabano Trinks, pe. Roberto Albuquerque, pe. Hilário Dick, pe. Geraldo, pe.José Garcia Neto, pe. Brandão e tantos outros que nesses 30 anos foram presença e inspiração inaciana do Amor e Serviço à Juventude, ao Povo de Deus, sigamos no caminho sendo igreja dos pobres, com paixão e compromisso.
Unindo nossa voz à voz das juventudes de todo o Brasil, gritamos e afirmamos como fizemos nesses 30 anos que hoje e sempre a CAJU somos todos/as nós.
As bênçãos do Deus da Caminhada, sempre solidário e do lado dos pobres.

Fonte: http://cebi.org.br/noticia.php?secaoId=2&noticiaId=3705

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O caminho aponta para Betânia


“Seis dias antes da páscoa, Jesus foi para Betânia. Na casa, Maria levou perfume de nardo puro e ungiu com ele os pés de Jesus”. [João 12, 1.3]

Somos Igreja Jovem. Somos Pastorais da Juventude. Somos o Povo de Deus. Somos seguidores/as de Jesus. E como Povo Deus estamos a caminho. Estamos a caminho seguindo Jesus. Estamos a caminho, assumindo a vida da juventude na perspectiva do discipulado e da missão. Estamos a caminho no compromisso com a vida da juventude. Estamos a caminho, no desejo de revitalizar a fortalecer a ação eclesial/pastoral com os/as jovens.

Desde o nosso chão, nossa Pátria Grande - América Latina, seguimos na fidelidade ao projeto de Jesus e aos/às jovens. Essa caminhada rumo ao Horizonte já percorreu um longo caminho através de muitos anos nos quais a Pastoral da Juventude serviu e serve aos/às jovens. Essa caminhada tem marcas profundas em nossa Latino-América e na vida da juventude. Esse caminho em busca de construir no hoje e no agora a Civilização do Amor nos últimos anos nos levou a optar a ir com Jesus e com os/as jovens para Jerusalém. Com Ele seguimos decididamente para Jerusalém.

O caminho para Jerusalém, na fidelidade a vontade do Pai, é um longo caminho. Caminho de discipulado e missão. Caminho de serviço, escuta e discernimento. Caminho de compromisso e causa. Caminho de aprendizado e doação. Por isso, mesmo, com os/as jovens e com Jesus, partimos de Emáus, passamos por Belém, residimos em Nazaré e agora chegamos em Betânia.

Betânia, casa dos pobres. Casa de amigos/as. Casa de escuta. Casa de silêncio, choro, dor. Casa de partilha. Casa de cuidado. Casa de humanidade. Casa de ressurreição. Casa de dar a vida, de resgatar a vida. Casa de ir ao encontro. Casa de amor e doação. Casa de unção e envio. Casa de cultivo e de alimento pra missão. Casa de festejar a vida. Casa de comer e beber. Casa de desafio. Casa que exala perfume. Casa de coragem e profecia. Casa que nos inquieta e desafia. Casa de encarar o mau cheiro e a podridão, no compromisso com a vida. Casa...

Betânia é casa que nos acolhe e recebe. É casa que nos envia. É casa que queremos habitar com Jesus e com os/as jovens neste caminho de compromisso com o Reino, rumo a Jerusalém. Casa onde nos encontraremos com o Senhor e com os/as jovens neste ano de 2013. Casa que nos envia e fortalece no amor e no serviço à juventude.

Casa que nos acolhe neste tempo. Casa que nos fortalece e nos provoca a fortalecer a opção preferencial pelos jovens, pelos pobres. Casa que nos motiva e inspira neste ano de Campanha da Fraternidade sobre juventude. Casa que nos provoca e nos alimenta neste ano de Jornada Mundial da Juventude. Casa que nos fortalece e nos envia no amor e no serviço aos/às jovens de nosso Continente.

Queremos refletir, pensar e rezar sobre essa Casa, essas Casas... Sobre Betânia. E já no inicio deste caminho somos provocados pela realidade que nos interpela. A CAJU, Casa da Juventude Pe. Burnier, instituto de formação, pesquisa e assessoria em juventude, que durante 29 anos prestou um grande serviço à juventude e à Pastoral da Juventude, fechou. Dos 28 cursos e serviços prestados, funcionarão neste ano apenas 5. É uma Betânia que se fecha pra muitos jovens. É uma Betânia que marcou nossas vidas e a vida de milhares de jovens e assessores/as que por lá passaram ou tiveram contato através de muitos materiais, subsídios, formações, serviços e assessorias. Estamos unidos/as a todos/as que fizeram a história dessa Casa, dessa Betânia. E com eles/as seguimos firmes no compromisso com a vida da juventude.

O ano igualmente começou com uma triste fatalidade. Mais de 230 jovens foram mortos e outras centenas ficaram feridos/as em um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria/RS. Muitas vidas ceifadas. Muitos sonhos, projetos de vida, desejos e vidas interrompidas abruptamente. A Pastoral da Juventude escreveu uma nota, que fazemos nossa. Diz a PJ e nós com ela: “Diante da morte não podemos nos calar. Não podemos aceitar que a morte tenha a última palavra. Aprendemos a ter esta postura por meio do seguimento a Jesus Cristo, o Jovem de Nazaré. Que a memória desses jovens falecidos/as e feridos/as nos comprometa sempre mais com a vida da juventude, em especial com os/as que mais sofrem e estão à margem da sociedade. Gastemos nossas vidas no cuidado, no serviço e no amor incondicional à juventude. Na Páscoa de Cristo temos a certeza que a morte não tem a última palavra, por isso, apesar da dor e da tristeza, sigamos, juntos/as, no compromisso com a vida da juventude.” Que este ano de Betânia que começa com essa triste fatalidade nos comprometa sempre mais com a vida da juventude. Que possamos, “apesar da dor e da tristeza, seguirmos juntos/as, no compromisso com a vida da juventude.” Estamos unidos/as e solidários com os/as feridos/as e com as famílias das vítimas. Desejamos sempre mais gastar a vida pela vida da juventude.

Casa que quer nos acolher. Casa que acolhe Jesus, seus amigos/as. Casa que acolhe os/as jovens de nossa Pátria Grande. Casa onde somos convidados a partilhar e conhecer neste ano. Vamos juntos/as viver Betânia, com os/as jovens e com Jesus, na causa do Reino?

Desde Betânia, sintamos o perfume que brota do encontro com o Mestre e com a Juventude. E exalemos esse perfume de vida e esperança por todos os cantos....

Pe. Maicon André Malacarne – Assessor da PJ na Diocese de Erexim
Luis Duarte Vieira – Militante da PJ e noviço admitido à Companhia de Jesus

SANTA MARIA: HORA DA PROFECIA


Santa Maria/RS, 27 de janeiro de 2013. Ninguém irá se esquecer dessa data tão cedo! Quer dizer... é o que se espera! Mais de 230 mortes desnecessárias e perfeitamente evitáveis. Mas... por que aconteceram?

Sabem que, apesar de comovido, eu não havia pensado no assunto a fundo ainda. Mas hoje, vendo minha esposa chorar, percebi o quanto somos acomodados e alienados. Em seu desabafo, pura denúncia profética: “Todo mundo crucificando o gurizinho (sim, ele também é um jovenzinho) que iniciou o incêndio, mas ninguém fica revoltado com o funcionário público preguiçoso ou corrupto (e, aqui, não estamos falando de todos, mas de uma parcela que, de fato, o é) que faz vistas grossas para o alvará vencido, ou assina uma licença sem saber o que, de fato, está assinando! Ninguém se lembra do bombeiro que não interditou um lugar sem as mínimas condições de segurança! Cambada de hipócrita! São muito mais culpados do que os músicos, que, no fim das contas, queriam só divertir a turma”.

Ouvi tudo calado. Não chorei, mas devo ter corado de vergonha. Até então, tudo o que eu tinha lido/ouvido a respeito se limitava a cartinhas de solidariedade, reflexões sobre o que a morte e a dor teriam a nos ensinar, além de análises muito supérfluas, sempre buscando culpados entre os que estavam na boate naquela noite. O que mais me irritou foi um texto falando que Deus quis fazer uma festa(?) no Céu e, por isso, levou a gurizada, deixando-nos na saudade. Ora, a quem poderia servir esse tipo de pensamento? Foi Vontade de Deus, então!? Mas que bando de covardes somos nós! Enquanto culpamos Deus, os verdadeiros responsáveis continuam decidindo nossas vidas.

Meu Deus, que ótima oportunidade de sermos profetas de verdade! Ok, as cartinhas de solidariedade são legais, demonstram nosso interesse (ou o tamanho dele, pelo menos)... Mas cadê a coragem de denunciar todo um sistema responsável pelo extermínio de jovens? Esses morreram asfixiados ou queimados, mas quantos morrem lentamente, com “pílulas coloridas” amplamente distribuídas nas raves? Quantos morrem lentamente, todos os dias, embaixo de um viaduto, aparentemente invisíveis? Esses mesmos, que morreram em Santa Maria, teriam sido vítimas de um suborninho aqui, uma propininha ali, essas coisas que “agilizam” a liberação das atividades de um estabelecimento? Cadê a coragem profética de denunciar essas práticas que só visam o lucro? E não estou falando dos seguranças, que fecharam as portas com medo da gurizada sair sem pagar o ingresso. Mais gananciosos são os membros do cartel do entretenimento, para os quais não importam as pessoas, mas o que elas estão dispostas a pagar por diversão. Esses criam necessidades, determinam o que realmente é divertido, não nos dando a chance de decidirmos o que realmente queremos. Mais uma vez... são outros os que decidem por nós. Até quando?

Não chora, meu amor! Ou melhor, se vai chorar, saiba que estou aqui, solidário ao seu sofrimento. Agradeço por abrir meus olhos. Se ninguém mais quiser denunciar as maldades dessa sociedade corrupta e hipócrita, falemos nós! Um dia, alguém nos escutará!