"É natural que os meninos beijem as meninas à força”. "Menino que usa rosa é gay”. "Os homens não levam jeito com crianças”. "Balé e futebol são adequados para meninas e meninos”. É comum ouvir tais afirmações no cotidiano, mas não é tão comum que se reflita sobre elas. Concordar ou discordar, eis a questão. Para pensar sobre os direitos das mulheres na sociedade, a Casa da Mulher Trabalhadora (Camtra) realiza o III Curso ‘Trocando Ideias: Mulheres Jovens na Defesa de Seus Direitos!’. As inscrições seguem até 16 de setembro.
A formação, a ser realizada de 30 setembro a 2 de outubro na cidade do Rio de Janeiro (RJ), Brasil, irá trabalhar com uma metodologia desenvolvida a partir das ações do Núcleo de Mulheres Jovens do Camtra, que existe desde 2001. A experiência do Núcleo levou à publicação da cartilha Trocando Ideias, que traz dinâmicas e métodos para se trabalhar temas relacionados às questões de gênero, a exemplo das afirmações provocadoras citadas acima. São essas ferramentas, reunidas na publicação, que vão orientar o trabalho no Curso.
"Nós percebemos que o conhecimento que recebíamos na organização não era compartilhado por outras mulheres, tanto nos bairros, como em outras organizações”, explica Iara Amora, coordenadora do Núcleo de Mulheres Jovens. O Curso surgiu, portanto, com a proposta de multiplicar esse conhecimento. "Percebemos também a importância de investir na liderança de mulheres jovens”, acrescenta.
As oficinas vão reunir mulheres organizadas, que muitas vezes "não tem espaço para discutir a especificidade das mulheres jovens”, conforme avalia Iara, e reunirá também mulheres não-organizadas, "tanto de bairro, como de escolas”. A proposta é que, após a formação, essas mulheres desenvolvam ações locais, de acordo com a realidade de cada uma. "A ideia é que elas sejam jovens multiplicadoras”, reforça a coordenadora. Ao final, será formulado um calendário de ação conjunta.
Este ano, algumas das atividades realizadas no Curso foram planejadas por participantes do Trocando Ideias do ano passado, reforçando o vínculo delas com o Núcleo e com a luta das mulheres. "Realizamos um curso de formação, mas tem o objetivo também de aproximar as participantes da militância”, afirma Iara Amora. Ela relata que muitas das mulheres se envolveram não só com a Camtra, mas também com outros movimentos sociais, como o movimento de mulheres e de juventude.
O Curso ‘Trocando Ideias’ tem como eixo central a questão do feminismo e a organização das mulheres jovens. A partir desse tema, outros assuntos específicos serão abordados, como a violência contra a mulher, racismo, diversidade sexual, homofobia, sexualidade, gravidez não-planejada, DST’s/Aids e métodos contraceptivos.
Inscrições
Podem participar do Curso mulheres com idade entre 15 e 29 anos, que morem no estado do Rio de Janeiro. As participantes com idade menor de 18 anos devem apresentar autorização escrita do seu responsável. As inscrições podem ser feitas pela internet ou por telefone até o dia 16 de setembro.
Serão selecionadas 30 mulheres para participar do Curso, as quais terão alimentação e hospedagem custeadas pelo projeto. A seleção utilizará o critério de proporcionalidade entre as diversidades de mulheres, considerando grupo, localidade, etnia, orientação sexual, dentre outros. O resultado será divulgado no dia 21 de setembro, no site da organização.
Inscrições por telefone: (21) 2544-0808 ou pela internet http://tinyurl.com/cursomulheresjovens
Para mais informações: www.camtra.org.br
Fonte: Camila Maciel (Adital)
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Livro escrito por Juventudes é lançado em encontro nacional
Foi oficialmente lançado na noite de ontem, 16 de agosto, durante o encontro nacional de FE-Brasil o livro "O espírito sopra onde quer...". O livro reúne a contribuição de jovens de espiritualidade metodista, luterana, anglicana, batista ou cristã de maneira geral, ligados à REJU. Relendo textos polêmicos e profundos, como a conversa de Jesus com Nicodemos, as histórias de Rute, da mulher siro-fenícia e de Agar e o debate entre a Samaritana e Jesus, o livro mostra a possibilidade da convivência ecumênica. O material é importante subsídio na Campanha contra a intolerância religiosa.
Thaiana Assis, jovem metodista e uma das autoras do livro, falou de seu aprendizado no processo de elaboração do texto. Thaiana escreveu sobre o diálogo entre a Samaritana e Jesus: "o estudo do texto bíblico e a elaboração do texto foi um processo coletivo, do qual todas as pessoas que estavam ao meu redor foram envolvidas. Foi diálogo de verdade."
Edmilson Schinelo, representante do CEBI, lembrou que a produção do livro foi uma dupla contribuição ao Centro de Estudos Bíblicos: "O CEBI tem dois limites em sua atuação em diversas partes do país: nem sempre consegue uma atuação efetivamente ecumênica e tem pouco material feito pela juventude. O livro é um contributo nos dois sentidos".
O livro pode ser adquirido tanto junto ao CEBI (vendas@cebi.org.br), quanto junto à REJU.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Culto à Deusa Asherá na Bíblia: a jovem Ana Luisa Cordeiro fala de seu livro
"Algumas funções femininas são quase sempre canalizadas como atributos de um Deus caracteristicamente masculino. Acredito pessoalmente que a experiência com a Deusa possibilita falar do universo sagrado a partir do universo feminino sem necessitar da intermediação masculina. Isso ajudará a reforçar o caminho da igualdade. As relações de gênero precisam estar alicerçadas na parceria e no respeito."Negra na tez e na opção, rosto jovem, sorriso sempre aberto. Ana Luisa Cordeiro (foto), acaba de lançar o fruto de sua pesquisa: Onde estão as deusas? Asherá, a Deusa proibida, nas linhas e entrelinhas. Aos 27 anos, Ana Luisa é Mestra em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás - PUC-GO. Atualmente, reside em Campo Grande/MS.
Leia a entrevista que concedeu ao CEBI:
CEBI - De onde vem o seu interesse pela pesquisa bíblica? Não é algo tão comum no meio da juventude.
Ana Luisa Cordeiro - Desde minha adolescência, sempre gostei de ler livros de história, sociologia, etc. Minha mãe é professora e tinha uma biblioteca acessível dentro de casa. Quando tive contato com o jeito de ler a Bíblia que o CEBI propõe, me encontrei e me encantei com este jeito pé no chão de falar e viver a religião.
CEBI - Por que a sua escolha em pesquisar sobre divindades femininas na Bíblia?
Ana Luisa Cordeiro - Bom, participei em 2003, no Rio Grande do Sul, de uma semana de estudo bíblico intitulada "A Bíblia na ótica do pobre e da mulher". O assessor, Ildo Bohn Gass, passou um documentário da Discovery: Asherah, The Forbidden Goddess (Asherah, a deusa proibida), que falava de Asherah, uma divindade feminina que aparecia em mais de quarenta citações bíblicas. E mais, que era uma divindade feminina nativa, ela não havia sido trazida de fora, da cultura de outros povos. Naquele dia, não consegui nem dormir direito, imaginando e pensando: por que essa história não é contada?
CEBI - Das descobertas que fez na pesquisa, qual sua maior surpresa?
Ana Luisa Cordeiro - Que a cultura é uma construção social e, como todo ato social tende a contar os fatos a partir do grupo que o faz e o registra, não existe neutralidade ao se contar uma história. E não foi diferente em relação à presença das divindades femininas.
CEBI - O que significa para você, enquanto jovem e negra, descobrir que na história de Israel, o culto a divindades femininas foi maior do que normalmente se imagina?Ana Luisa Cordeiro - A questão é que muitos e muitas de nós vivemos e viveremos sem sequer imaginar, questionar ou supor tal realidade. Porque não só a história escrita, mas também a transmissão dessa história no decorrer dos anos abafaram a presença e memória das deusas no antigo Israel. Colocar parte dessa memória por escrito neste livro que agora vocês têm em mãos, expressa o desejo de levar as pessoas a descobrirem parte de uma história que foi negativizada e abafada. Aqui travo uma luta, uma reivindicação feminista e de gênero no campo simbólico da religião.
CEBI - Pela sua experiência em assessoria junto a comunidades cristãs, como tem sido a reação das pessoas quando você trata dessa temática?
Ana Luisa Cordeiro - Interessante. Até agora não houve nenhuma oposição radical de enfrentamento face a face. Mas nas vias online sim, principalmente de vertentes religiosas mais fundamentalistas. Geralmente os grupos de estudos bíblicos com os quais tenho contato se mostram interessados, instigados a buscar mais, a ampliar os horizontes, e isso é muito legal.
CEBI - O que significa essa experiência com a Deusa para a auto-estima da mulher?
Ana Luisa Cordeiro - Bom, nessa questão tão subjetiva posso dizer que para mim a experiência com a Deusa revela essa dimensão feminina das relações com o sagrado. É a oportunidade de falar de mulher para Mulher. Desde criança somos educadas e educados a rezar/orar para o Pai, Deus, Senhor, Rei, Poderoso, etc... e não para a Mãe, Deusa, Senhora, Rainha, Poderosa, etc. também... Algumas funções femininas são quase sempre canalizadas como atributos de um Deus caracteristicamente masculino. Acredito pessoalmente que a experiência com a Deusa possibilita falar do universo sagrado a partir do universo feminino sem necessitar da intermediação masculina. Isso ajudará a reforçar o caminho da igualdade. As relações de gênero precisam estar alicerçadas na parceria e no respeito.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Casa da Juventude realiza Conferência Livre de Juventude
No processo de realização da Conferência Nacional da Juventude, acontece na Casa da Juventude Padre Burnier, no dia 14 de Agosto, das 8h às 11h, uma Conferencia Livre de Juventude, que será realizada durante as Oficinas de Juventude e Cidadania e Juventude e Economia Solidária, que acontecem na CAJU, neste fim de semana.
As Conferências Livres são instrumentos de participação que ampliam a construção de espaços de discussão e debate onde os diversos setores da sociedade brasileira podem contribuir para o fortalecimento da Política Nacional de Juventude. Elas são uma ferramenta diversificada que possibilita a ampliação da participação política trazendo para a discussão pessoas que não participam dos espaços formais de debate.
Mobilize seu grupo para participar desse espaço de proposição para a 2ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude. Os interessados em participar devem mandar um e-mail, confirmando a participação: cidadania@casadajuventude.org.br .
João Paulo Pucinelli
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
CMI prepara formação em eco-justiça para jovens cristãos
O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) está preparando um encontro para jovens de comunidades cristãs que tenham entre 18 e 30 anos de idade. O objetivo desse evento é a apresentação das candidaturas para um programa de treinamento, organizado conjuntamente pelo CMI e a Federação Luterana Mundial (FLM).
O programa abordará as relações entre a justiça socioeconômica e ambiental no contexto das negociações das Nações Unidas sobre mudança climática que terá lugar no final de 2011. A data limite para envio dos formulários é 15 de agosto de 2011.
Mais informações podem ser obtidas na página: www.oikoumene.org/es/activities/la-reda/ewn-news-and-events-containers/english-news-container/single-news/article/8500/formacion-en-eco-justici.html quinta-feira, 14 de julho de 2011
Núcleo Betânia realiza a primeira edição do Anunciação
A bruma leve das paixões que vem de dentro soprou neste final de semana, trazendo ares de novidade para a primeira edição do Projeto Anunciação. Jovens das Pastorais da Juventude participaram da 1ª etapa do projeto que é realizado pelo Núcleo de Assessoria Juvenil Betânia. A etapa aconteceu na Casa da Pastoral Operária em Cachoeirinha.
Inspirados pela mística de Nazaré, lugar de vida e amadurecimento de Jesus, os jovens fizeram o caminho de descoberta da realidade juvenil, compreendendo seus desafios e alegrias. A experiência de encontro com o outro provocou em todos o desejo de aprofundar a vivência da fé e a inserção na realidade. Em Betânia, encontramos espaço para partilhar da amizade e recarregar as forças para viver a missão junto à juventude.
O Anunciação acontece em quatro etapas, propondo aos jovens um processo de formação que aprofunde a capacitação técnica. Entre as etapas, os participantes seguem se encontrando através de ferramentas de redes sociais, tendo subsídios para estudo e reflexão, assim como partilhando os desafios da caminhada.
Foram parceiros neste projeto, o Centro de Estudos Bíblicos – CEBI, o Serviço de Evangelização da CNBB, o Novo Lar Salesiano de Viamão e a Rede de Comunidades São José de Gravataí. A próxima etapa acontece nos dias 19, 20 e 21 de agosto.
Confira o blog http://www.nucleobetania.blogspot.com/
Inspirados pela mística de Nazaré, lugar de vida e amadurecimento de Jesus, os jovens fizeram o caminho de descoberta da realidade juvenil, compreendendo seus desafios e alegrias. A experiência de encontro com o outro provocou em todos o desejo de aprofundar a vivência da fé e a inserção na realidade. Em Betânia, encontramos espaço para partilhar da amizade e recarregar as forças para viver a missão junto à juventude.
O Anunciação acontece em quatro etapas, propondo aos jovens um processo de formação que aprofunde a capacitação técnica. Entre as etapas, os participantes seguem se encontrando através de ferramentas de redes sociais, tendo subsídios para estudo e reflexão, assim como partilhando os desafios da caminhada.
Foram parceiros neste projeto, o Centro de Estudos Bíblicos – CEBI, o Serviço de Evangelização da CNBB, o Novo Lar Salesiano de Viamão e a Rede de Comunidades São José de Gravataí. A próxima etapa acontece nos dias 19, 20 e 21 de agosto.
Confira o blog http://www.nucleobetania.blogspot.com/
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